Bio

Cantora, atriz e historiadora. Estudou canto lírico com Leilah Farah e canto popular com Ná Ozzetti e Regina Machado, fez faculdade de História na Puc-SP e artes cênicas no Teatro Escola Célia Helena.

Tem dois discos lançados. O primeiro cd teve a participação de Chico Buarque e show com direção de Naum Alves de Souza e Swami Jr. O segundo cd vai encartado no livro “Solidão no fundo da agulha”, do escritor Ignácio de Loyola Brandão, que virou espetáculo e segue em turnê há mais de 8 anos.

No teatro, participou de inúmeras peças com destaque para A Hora em que não Sabíamos Nada Uns dos Outros de Peter Handke e Diásporas de Cassio Pires, as duas com direção de Marcelo Lazzaratto, Eu sou essa outra, de Carla Kinzo e direção de Vera Egito, peça da qual foi também idealizadora junto com a atriz Maria Laura Nogueira, Aqui estamos com milhares de cães vindos do mar, de Matei Visniec, com direção de Rodrigo Spina. Em 2021, participou como cantora do projeto Escavando Tebas, vídeo do processo de construção da peça Tebas, com direção de Marcelo Lazzaratto com a Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, que tem previsão de estreia em 2022. Ainda em 2021, integrou o elenco da peça que teve temporada online Você me escuta?, inspirada no livro Alucinações musicais de Oliver Sacks, com direção de Rodrigo Spina.

De 2017 a 2020, integrou como atriz e cantora, junto com Guegué Medeiros (percussão e voz) e Gabi Machado (flauta), o elenco do espetáculo Pina_Canção, criado por Helio Ziskind e dirigido por Carla Candiotto que acontecia uma vez por mês na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Tem quatro livros publicados pela Ed. Moderna na coleção Ritmos do Brasil, escritos em parceria com Carla Gullo e Camilo Vannuchi, sobre música brasileira para crianças: Samba e Bossa Nova; Choro e Música Caipira (selecionado para o Acervo Básico FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil); Jovem Guarda e Tropicália (finalista do 59º Prêmio Jabuti 2017) e Carnaval (lançado em fevereiro de 2020).

 

por Ignácio de Loyola Brandão 

A primeira vez que a ouvi, ela tinha dois anos, em meados dos anos 1980, no Arraial do Cabo, na casa do avô Nelson, embalada por uma tia. As duas cantavam Carinhoso.

Depois, ouvia a mãe, Marcia, cantando com ela. A avó. Rita nasceu em uma família musical. Não descobriu a música por acaso. Ela veio sedimentando o caminho interiormente. Tinha doze anos e conhecia repertório como poucos adultos. Nas viagens, ela e a mãe cantavam. Cantam o tempo inteiro. As duas têm iPods com milhares de canções, podem viajar horas e horas sem repetir uma sequer.

As canções sempre estiveram entranhadas na pele, no intimo, fazem parte do corpo, assim como as células. A música para ela é vital, tão necessária quanto o coração, o pulmão, os rins. Sem a música ela não poderia viver. Não pode.

Perfeccionista, aprimora-se estuda, fez violão, fez canto lírico, exige-se, ensaia. Um dia foi fazer teatro para aprender a se posicionar no palco, saber se mover em cena, dominar o gestual, o corpo.

Para mim que convivo com ela diariamente, é difícil falar sem deixar transparecer emoção.

Racional, digo, seja racional.

O que admiro em Rita é a fixação que a leva a demorar meses buscando repertório, querendo capturar uma canção. Pesquisa extensa na qual ela usa todos os meios de que dispomos hoje. Todos os dias, eu a vejo baixando músicas, ouvindo, ouvindo, cantando, anotando, gravando, deletando, decidindo.

O que a move é a insatisfação, o perfeccionismo latente. Nunca satisfeita ou com a letra, ou com a melodia, ou com um acorde, às vezes com uma palavra.

Ela percorre insistentemente nossa história, de Noel Rosa a Lamartine Babo, de Braguinha a Ary Barroso, de Chico Buarque a Caetano, de Gil a Milton nascimento, com passagens por Lupiscinio, Assis Valente, Cartola, Pixinguinha, Vinicius, Tom, Sidney Magal, Raul Seixas ….

Sei que a criação é produto de uma farta loucura, de uma busca interminável, da satisfação nunca atingida.

É rejeitar o fácil, o clichê, o lugar comum, a concessão. É ter aguda a arte de discernir o que é bom, recusando muitas vezes o bom, à espera do melhor.

Muitas vezes, penso que é demais, que esta mulher pode travar. Não, ela faz isso com alegria.

Outras, quando ela surge na sala, sorridente e iluminada, vejo que ela acabou de descobrir.

E quando alguém em arte descobre, é porque encontrou uma raridade que está dentro dela e pode estar dentro de nós. Espero que Rita nunca se dê por satisfeita!

6 comentários

  1. oswaldo nogueira filho disse:

    Como araraquarense estou todo orgulhoso, parabéns pela sua linda voz ( me lembra a Marisa Monte), parabéns ao gênio Ygnácio. Seu avô foi eu mestre e nosso querido paraninfo da tuma de 69 . continuo dentista em santos, sou do clube do choro de santos e espero poder vê-los na casa de Francisco Oswaldinho

  2. Gledston disse:

    eu te conheci pela primeira vez no programa do jô e fiquei maravilhado com sua linda e incomparável voz
    confesso ainda não tinha ouvido voz tão angelical , linda, mais que linda como não encontro uma palavra
    acho que vou inventar uma para descrever sua voz e perdoe minha ousadia, sua voz é estraorfanatastimaravilhinda.
    obrigado por você existir, e que deus me permita viver todos os anos possíveis para poder continuar a ouvir o sua voz
    e seu canto que encanta e nos faz sonhar os mais lindos poemas.

  3. Brasilino de P. Machado disse:

    Rita Gullo, boa tarde estou procurando pelo telefone do seu avô iguinacio Loyola para conseguir através dele o telefone em araraquara do Luiz Gonzaga Brandao . Desculpe utilizar você mas é o único canal que disponho obrigado e desejo um feliz natal abcs

  4. jamil januário disse:

    Assisti – junto com minha esposa – “solidão no fundo da agulha” e, além das falas memoráveis de ignácio de loyola brandão, fiquei impressionado com a qualidade da sua interpretação nas canções. Parabéns!

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