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Ritmos do Brasil

Editora Moderna

SOLIDÃO NO FUNDO DA AGULHA

espetáculo lítero-musical com Ignácio de Loyola Brandão

TEATRO

Eu Sou Essa Outra

peça inspirada na vida e obra de Liv Ullmann, escrita por Carla Kinzo e dirigida por Vera Egito
com Rita Gullo, Maria Laura Nogueira e Nana Yazbek

mini bio

Rita Gullo é cantora, atriz e historiadora. Estudou canto lírico com Leilah Farah e canto popular com Ná Ozzetti e Regina Machado. Fez faculdade de História na PUC_SP e artes cênicas no Teatro Escola Célia Helena.

Tem dois discos lançados. O primeiro teve a participação de Chico Buarque e show de lançamento em parceria com SESCSP com direção de Naum Alves de Souza e Swami Jr. O segundo vai encartado no livro “Solidão no fundo da agulha”, do escritor Ignácio de Loyola Brandão, que virou espetáculo e segue em turnê há mais de 6 anos.

Em 2018 foi idealizadora e atriz, junto com Maria Laura Nogueira da peça Eu Sou Essa Outra, com texto de Carla Kinzo e direção de Vera Egito. Participou de peças com a Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, com direção de Marcelo Lazzaratto, como A Hora em que não Sabíamos Nada Uns dos Outros de Peter Handke e Diásporas de Cassio Pires. 

Desde 2017 integra como atriz e cantora, junto com Guegué Medeiros (percussão e voz) e Gabi Machado (flauta), o elenco do espetáculo Pina_Canção, criado por Helio Ziskind e dirigido por Carla Candiotto que acontece uma vez por mês na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Tem quatro livros publicados pela Ed. Moderna na coleção Ritmos do Brasil, escritos em parceria com Carla Gullo e Camilo Vannuchi, sobre música brasileira para crianças: Samba e Bossa Nova; Choro e Música Caipira (selecionado para o Acervo Básico FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil); Jovem Guarda e Tropicália (finalista do 59º Prêmio Jabuti 2017) e Carnaval (lançamento em 2020).

por Ignácio de Loyola Brandão 

A primeira vez que a ouvi, ela tinha dois anos, em meados dos anos 1980, no Arraial do Cabo, na casa do avô Nelson, embalada por uma tia. As duas cantavam Carinhoso.

Depois, ouvia a mãe, Marcia, cantando com ela. A avó. Rita nasceu em uma família musical. Não descobriu a música por acaso. Ela veio sedimentando o caminho interiormente. Tinha doze anos e conhecia repertório como poucos adultos. Nas viagens, ela e a mãe cantavam. Cantam o tempo inteiro. As duas têm iPods com milhares de canções, podem viajar horas e horas sem repetir uma sequer.

As canções sempre estiveram entranhadas na pele, no intimo, fazem parte do corpo, assim como as células. A música para ela é vital, tão necessária quanto o coração, o pulmão, os rins. Sem a música ela não poderia viver. Não pode.

Perfeccionista, aprimora-se estuda, fez violão, fez canto lírico, exige-se, ensaia. Um dia foi fazer teatro para aprender a se posicionar no palco, saber se mover em cena, dominar o gestual, o corpo.

Para mim que convivo com ela diariamente, é difícil falar sem deixar transparecer emoção.

Racional, digo, seja racional.

O que admiro em Rita é a fixação que a leva a demorar meses buscando repertório, querendo capturar uma canção. Pesquisa extensa na qual ela usa todos os meios de que dispomos hoje. Todos os dias, eu a vejo baixando músicas, ouvindo, ouvindo, cantando, anotando, gravando, deletando, decidindo.

O que a move é a insatisfação, o perfeccionismo latente. Nunca satisfeita ou com a letra, ou com a melodia, ou com um acorde, às vezes com uma palavra.

Ela percorre insistentemente nossa história, de Noel Rosa a Lamartine Babo, de Braguinha a Ary Barroso, de Chico Buarque a Caetano, de Gil a Milton nascimento, com passagens por Lupiscinio, Assis Valente, Cartola, Pixinguinha, Vinicius, Tom, Sidney Magal, Raul Seixas ….

Sei que a criação é produto de uma farta loucura, de uma busca interminável, da satisfação nunca atingida.

É rejeitar o fácil, o clichê, o lugar comum, a concessão. É ter aguda a arte de discernir o que é bom, recusando muitas vezes o bom, à espera do melhor.

Muitas vezes, penso que é demais, que esta mulher pode travar. Não, ela faz isso com alegria.

Outras, quando ela surge na sala, sorridente e iluminada, vejo que ela acabou de descobrir.

E quando alguém em arte descobre, é porque encontrou uma raridade que está dentro dela e pode estar dentro de nós. Espero que Rita nunca se dê por satisfeita!